Da actualidade do tema
A actualidade do tema arte que motivou o projecto “Land Art” no Parque da Lavandeira é hoje visível numa vasta produção académica, na realização de cursos, congressos e colóquios e na quantidade de publicações editadas sobre paisagem e arte. Mas essa actualidade revela-se ainda na criação de museus e centros de arte na paisagem, num movimento que vem dos meados dos anos 70 com a fundação do Yorkshire Sculpture Park, em Inglaterra, facto que originou uma vaga de instituições vocacionadas para a apresentação e a interpretação da arte em cenários naturais. Estas instituições, se podem considerar-se herdeiras da tradição dos museus ao ar livre e dos jardins de escultura criados até aos meados do século XX, devem sobretudo ser consideradas renovadoras dos modelos de divulgação e fruição da arte. O projecto “Land Art”, não se constituindo como projecto de carácter museológico, partilha caracteres vitais deste movimento que, insista-se, é da maior actualidade.
Breve contextualização do Projecto “Land Art”
Nos finais dos anos 60 e ao longo dos anos 70 instalaram-se sinais de revisão e alteração das práticas artísticas que resultaram num profundo questionamento da realidade da arte. Neste contexto, um dos fenómenos mais interessantes é o da Land Art, Earth Art ou Earth Works, que surge nos Estados Unidos da América, através de figuras como Robert Smithson, Michael Heizer, Nancy Holt ou Walter De Maria. Neste período, a sua relação com a paisagem altera-se radicalmente: os artistas deixam a contemplação passiva da paisagem e decidem intervir activamente, alterando-a. A arte já não representa a paisagem, apropria-se dela e apresenta-a. Os artistas saem dos seus ateliers e a sua prática caracteriza-se por intervenções de grande escala na própria natureza, desenhando túneis, escavando a terra, abrindo percursos, deslocando grandes massas de areia, terra e pedras, construindo ilhas e trajectos artificiais. A terra e a natureza passam a ser a matéria, o tema e o lugar da arte. [Estamos longe de Goethe para quem a arte era arte, porque não era natureza].
Para lá desta tradição americana, surgiram na Europa outros artistas como Richard Long, Andy Goldsworthy, Alfio Bonanno, Nils Udo que optaram por intervenções de menor escala e mais simples, contaminadas por práticas antigas de marcação do território, por construções tradicionais, deixando sinais subtis da sua passagem, o rasto da sua presença. Estes artistas procuraram distinguir-se dos anteriores optando, por vezes, pela designação de Environmental Art.
A arte passou a ser encarada como experiência e não como produção de objectos; o público passou a valorizar essa experiência e não a consumir peças de carácter material; a arte passou a acontecer em qualquer lugar e não apenas no espaço restrito da galeria.
Interessante é avaliarmos as propostas dos artistas que participaram no projecto do Parque da Lavandeira, à luz desta situação criada a partir dos anos 70. Algumas das intervenções espelham, de facto, a indefinição e a dúvida, quer sobre o conceito de arte, quer sobre o modo de a fruir, quer sobre o espaço em que ela se apresenta.
É certo que, na sua maioria, foram escultores que trabalharam mas não foram esculturas o que produziram. Optaram por recorrer ao que a própria natureza contém, ao que o parque oferece, instalaram elementos precários do ponto de vista material, fizeram intervenções que nos obrigam a reflectir e a sorrir, e reconciliaram a arte com o mundo natural em que também vivemos. É certo que se trata de intervenções para olhar e ver mas todas elas reabilitam o acto do andar, a importância do caminhar, a presença física do observador no seu meio. [Dizia Gassendi: “Ando, logo existo”].
Sobre o Projecto “Land Art” e sua continuidade
O Parque da Lavandeira tem excelentes condições para a realização de actividades deste teor e o Parque Biológico provou já ter recursos e meios para estas realizações e alargar os seus públicos, para lá de consolidar os que já conquistou. Como primeira acção, trata-se de uma actividade com um certo cunho experimental que poderá desenvolvida no sentido de proporcionar acções com maior pertinência cultural e alcance mais profundo, configuradas na linha de programação agora iniciada.
Entretanto, e para concluir, devo referir que prefiro a expressão arte na natureza à expressão Land Art. A designação Land Art está demasiado conotada com o início de todo este movimento e tem particularidades próprias de enquadramento, escala e horizonte. Mas prefiro ainda mais o termo arte na paisagem ao termo arte na natureza, porque tudo o que nos rodeia é já natureza modelada pelo homem, tratada, alterada, domesticada, ou seja, paisagem. Afinal, não é a paisagem a natureza “artealizada”? [Alain Roger].
Projectos como este podem mostrar-nos aquilo que o olhar dos artistas potencia e o poder poético e prático das suas intervenções. Na reconversão, na reconstrução, na recuperação de paisagens e espaços, o papel dos artistas é fundamental. Nem sempre as suas intervenções se impõem pela escala ou pela monumentalidade, pelo excesso de design, pela afronta e imposição de elementos adicionados ao existente, mas, ao contrário, essas intervenções podem afirmar-se pela subtileza, pelo respeito pelo envolvente, pelo acto de reforçar ou potenciar algo que já está na paisagem e que os artistas têm capacidade de sublinhar e revelar. Projectos como este permitem-nos esperar ainda mais dos artistas, aqui envolvidos em acções efémeras, e vê-los envolvidos em realizações permanentes, a par daqueles que ordenam e organizam o lugar dos nossos passos, o lugar dos nossos actos, o lugar das nossas vidas.
Laura Castro
quinta-feira, setembro 27, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
domingo, setembro 16, 2007
segunda-feira, maio 21, 2007
quarta-feira, maio 09, 2007
Comentários
Benvolguts Marisa i Joaquim:
Tot i que no ens coneixem en persona, la vostra referència mitjançant el meu cunyat Carlets i la meva germana Laura és suficient per establir aquest vincle tal i com ho faig ara, en correu electrònic.
Em consta que tant l'un (en Carlets, acompanyat del Josep Matés) com l'altra (la Laura, amb la seva amiga Ma
rta), s'ho han passat d'allò més bé, i que han gaudit plenament d'una estada a Porto que serà inoblidable. Els lligams entre els extrems peninsulars s'han d'enfortir!
Tot i que no us conegui, doncs, vull fer-vos aquest correu per agraïr-vos la peça de ceràmica (azulejo, crec que en dieu) del Pont de Porto. Per feina i per romanticisme, els ponts sempre m'han sigut un punt dèbil.
Moltes gràcies, doncs, i sapigueu que el tindré en lloc preferent, a l'espera de decidir quin dia us conec en persona i puc creuar el Douro a través de tan meravellosa proesa de l'enginyeria.
Una abraçada, des del Pirineu de Cerdanya.
Francesc Fabra Grau
"Hola:Que pena no tener el don de la ubicuidad para poder estar en doslugares a la vez esta semana santa.Lo del parque de Lavandeira es una idea muy buena.He visto las fotosen el blog y el lugar es precioso y la idea de las columnas ahumadasesta muy bien creo que se integraran en el paisaje y ademas es unproyecto participativo que involucrá a mucha gente,lo que hace queesas piezas colocadas en un espacio público sean un poco de todos y lagente se lo hace suyo,lo valora y lo respeta.Me gustará ver las fotos que seguro que colgareis,yo por mi parteprometo colgar las de Enfanga't...."
Lola Gratacós ( Catalunha)
Tot i que no ens coneixem en persona, la vostra referència mitjançant el meu cunyat Carlets i la meva germana Laura és suficient per establir aquest vincle tal i com ho faig ara, en correu electrònic.
Em consta que tant l'un (en Carlets, acompanyat del Josep Matés) com l'altra (la Laura, amb la seva amiga Ma
rta), s'ho han passat d'allò més bé, i que han gaudit plenament d'una estada a Porto que serà inoblidable. Els lligams entre els extrems peninsulars s'han d'enfortir!
Tot i que no us conegui, doncs, vull fer-vos aquest correu per agraïr-vos la peça de ceràmica (azulejo, crec que en dieu) del Pont de Porto. Per feina i per romanticisme, els ponts sempre m'han sigut un punt dèbil.
Moltes gràcies, doncs, i sapigueu que el tindré en lloc preferent, a l'espera de decidir quin dia us conec en persona i puc creuar el Douro a través de tan meravellosa proesa de l'enginyeria.
Una abraçada, des del Pirineu de Cerdanya.
Francesc Fabra Grau
"Hola:Que pena no tener el don de la ubicuidad para poder estar en doslugares a la vez esta semana santa.Lo del parque de Lavandeira es una idea muy buena.He visto las fotosen el blog y el lugar es precioso y la idea de las columnas ahumadasesta muy bien creo que se integraran en el paisaje y ademas es unproyecto participativo que involucrá a mucha gente,lo que hace queesas piezas colocadas en un espacio público sean un poco de todos y lagente se lo hace suyo,lo valora y lo respeta.Me gustará ver las fotos que seguro que colgareis,yo por mi parteprometo colgar las de Enfanga't...."
Lola Gratacós ( Catalunha)
quarta-feira, maio 02, 2007
TERRA VIVA!/Terra Vivente .Associação de Ecologia Social (Porto)
" DIÁLOGO HOMEM-NATUREZA"
- UMA PERSPECTIVA HOLÍSTICA DE LAND ART-ARTE NA TERRA/ARTE COM A TERRA
Diálogo com os elementos e as forças/energias terrestres, ao encontro das raízes ancestrais: técnicas primitivas (amarrações e tecelagem ), construção de "roda-medicinal" e oráculo totémico,"espanta espíritos", Teepee (culturas ameríndias ), pêndulo eólico, harpa do vento, pintura e construções zoomórficas, revelações de figuras nos troncos das árvores (culturas célticas e "magia anglosaxónica Wyrd"), tripé de resistência ecológica (Austrália), torre-tripé. Intervenção na (e com o que resta da) Natureza , frente à civilização do asfalto, do betão e do plástico( que vai seguindo a passos certos para o incerto...).
12 e 13 de Maio (sábado e domingo) de 2007 :
Workshops diversos para crianças, jovens e adultos , das 10 às 17 horas, no Parque da Lavandeira em Vila Nova de Gaia.
Provávelmente na próxima semana continuaremos trabalhos aí nos seguintes dias:
30/4 (segunda) de tarde
3/5 (quinta ) de tarde
7/5 (segunda) de tarde
- UMA PERSPECTIVA HOLÍSTICA DE LAND ART-ARTE NA TERRA/ARTE COM A TERRA
Diálogo com os elementos e as forças/energias terrestres, ao encontro das raízes ancestrais: técnicas primitivas (amarrações e tecelagem ), construção de "roda-medicinal" e oráculo totémico,"espanta espíritos", Teepee (culturas ameríndias ), pêndulo eólico, harpa do vento, pintura e construções zoomórficas, revelações de figuras nos troncos das árvores (culturas célticas e "magia anglosaxónica Wyrd"), tripé de resistência ecológica (Austrália), torre-tripé. Intervenção na (e com o que resta da) Natureza , frente à civilização do asfalto, do betão e do plástico( que vai seguindo a passos certos para o incerto...).
12 e 13 de Maio (sábado e domingo) de 2007 :
Workshops diversos para crianças, jovens e adultos , das 10 às 17 horas, no Parque da Lavandeira em Vila Nova de Gaia.
Provávelmente na próxima semana continuaremos trabalhos aí nos seguintes dias:
30/4 (segunda) de tarde
3/5 (quinta ) de tarde
7/5 (segunda) de tarde
quarta-feira, abril 25, 2007
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